Poesia in Loco



Poesia in Loco


6.12.11

Marionetes

Outro dia essa mulher se apossou do meu amor
Dei-lhe todo o dinheiro - todo o maldito lucro da minha vida;
Outro dia um garoto de vinte anos se apossou do meu ódio
Dei-lhe todos os murros - todos os malditos golpes da minha vida


Naquele antigo ano em que conheci o verdadeiro amor
(anômalo, sarcástico, o maior repto que o deus inventou)
Perdi toda a massa muscular agarrada em meus ossos
Distendi os tendões, rasurei os tecidos e tornei-me apenas órgãos
(eu pensei em tudo, até numa cruz e doze abutres)
Assustadoramente senti-me um covarde que atira pedras
O garoto brioso que há pouco escarnecera minha alma
Era apenas um monstro horrendo, um fantasma translúcido
Que não se vestia de pele, e tinha o pulmão dependurado
E o baço, os rins, o fígado, o escroto e todo o intestino pendiam


Na manhã do antigo ano que surrei o altivo novato
Eu perdi o coração e sem perceber acometi assassínio
Eu agora sou um boneco de marionetes a cantar a vida alegre
Eu agora sou um boneco de teatro a dançar o musical da vida
Eu agora e sempre sou um monstro assustador sem pele sem alma
E com os órgãos acomodados numa teia de vasos sanguíneos


1 deixe seu comentário:

melhor visual com navegador firefox

E-mail para contato

blogpoesiainloco@yahoo.com.br

Sarau

Postagens populares