Poesia in Loco



Poesia in Loco


11.10.11

S.S. Dalai Lama - Os 12 Elos do Surgimento Dependente (1º: A Ignorância)


"O conflito entre a aparência concreta do eu e o fato de que, quando analisado, ele não pode ser encontrado, indica uma discrepância entre a aparência e o que realmente existe.

Em nossa própria existência, podemos identificar tipos ou níveis de desejo. Quando vemos um certo artigo numa loja e o dejamos, isto constitui um nível inicial de desejo, mas depois que o compramos e sentimos: 'Isto é meu', é um nível diferente. São semelhantes por serem ambos atutudes de desejo, mas diferem em intensidade.

É importante distinguir três niveis de aparência e percepção. No primeiro nível, quando ocorrem o mero aparecimento e mero aparecimento e mero reconhecimento do objeto, o objeto simplesmente aparece, sem gerar desejo. Então, quando sentimos: 'Oh, isto é realmente bom', o desejo foi gerado, e este é um outro nível de aparência e percepção so objeto. Ao decidir comprar o objeto e torná-lo nosso, acalentando-o como nossa propriedade, há um terceiro nível de aparência e percepção.

No primeiro nível, que consiste do mero aparecimento do objeto, este parece existir inerentemente; entretanto, a mente não está fortemente envolvida com ele. No segundo nível, o desejo pelo objeto é induzido pela ignorância que o percebe como existindo inerentemente. Há um nível sutil de desejo que pode existir ao mesmo tempo que esta consciência que concebe o objeto como inerentemente existente, mas, quando o desejo se torna mais forte, a concepção de existência inerente age como causa, induzindo a mais desejo ainda, mas não existe extamente ao mesmo tempo que o desejo. É crucial perceber a partir da nossa própria experiência que:

- no primeiro nível o objeto parece inerentemente existente;

- no segundo nível há uma consciência que concorda com esta aparência, percebendo o objeto como inerentemente existente, e, deste modo, dando surgimento ao desejo;

- no terceiro nível, quando compramos tal objeto inerentemente agradável e o tornamos nosso, o objeto fica envolvido por uma forte concepção de posse na qual consideramos extremamente valioso.

Ao final deste processo, juntaram-se duas poderosas correntes de aderência - desejo pelo objeto inerentemente agradável e apego por si mesmo -, deixando o desejo ainda maior que antes. Reflitam se isto é ou não é assim.

O mesmo é verdade para a aversão."

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Em palestra realizada nos EUA, 1989. Publicado no livro "O Sentido da Vida".



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