28.11.09

besteiras de sofá

Meu coração queria te levar para longe daqui. Eu queria mesmo era me perder por aí, estou cansado de tentar me achar e acho que não sou feito para isso: saber exatamente o que sou, quem sou. Qualquer lugar, vamos!

Você fala muito de responsabilidades. Levar uma vida medíocre, porém, é a maior irresponsabilidade que se pode ter. Por um breve período pensei que cultivar valores simplórios e comuns pudesse alimentar uma vida digna de sonhos, ou pequenas utopias. Bobagem, pura fraqueza de quem não ostenta a grande força para erguer o cetro e ordenar. Que faça chuva! Que venha o sol!

Sei, é preciso espírito. A tal presença. Bater e finalizar. Com sangue se joga o joga da vida - sangue jorrando... Ah... Felicidade?

Mediocridade, desfaçatez ou nossa plena liberação do erro? Podemos começar assim. Claro que podemos. Será a mediocridade o peso? O tempo a medida? Não sei mesmo. Está aí outro erro meu que sempre apontas: conjeturar ao léu.

7.11.09

35 VIDAS - capítulo 1

Parte 1
----
Bikaner, Índia. 12 de setembro de 1971.
----


Logo após o flagrante idiota em Jairo, tivemos que recomeçar nossa rota com três dias de atraso e 2500 rúpias a menos. O lado bom de ficar preso em uma cela com indianos é unicamente o fato de estar rodeado de indianos. São os criminosos mais pacíficos do mundo, certeza. Não somos bandidos. De fato, nunca me envolvi com nada de muito ilegal nesta vida. O problema foi Jairo aceitar a bela oferta de haxixe sem notar a presença de policiais do outro lado da rua. Ricco foi esperto em fingir não estar com a gente.

- Demorou muito, o que houve? - Perguntei ao nosso libertador.
- Não sabes de nada, Coisito. Eles estão procurando solucionar um crime bárbaro, o filho do administrador local foi morto quando brincava num parque de Cantonment, ao que parece. Chegaram a cogitar que nenhum local poderia matar uma criança assim. Que é coisa de gente de fora...
- E foi isso que o fez demorar tanto para trocar o travel? - Jairo interrompeu, com os braços em volta do nosso pescoço.
- Eles queriam incriminar vocês! Eu deveria deixar vocês aí! – Gritou.
- É troça? - Desconfiei de mais uma das suas.
- Olha a papelada, tá tudo escrito aí. Devemos ficar na Índia até a conclusão do inquérito. Botei um advogado para cuidar de tudo. Paguei com uma balança de precisão.
- Menos uma - Resignei-me.
- Pessoal, um garoto foi encontrado morto. Não havia vestígios de sangue, mas ele estava sem os globos oculares e com um rim arrancado. A polícia está desesperada, tivemos sorte em conseguir os papéis de liberação. Só se fala disso. Olhem os jornais! - Informou, passando os diários misturados com a papelada da polícia.
Tinha mesmo um tom desesperado em sua voz. O caso, afinal, era mesmo sério. Italiano não é do tipo que se deixa impressionar com um noticiário policial. Ainda mais em uma cidade escolhida para fazer negócio. Jairo, que lia rápido, se encarregou de dar voz às páginas. Em respeito ao administrador de Bikaner, nenhuma foto fora publicada, mas elas foram tiradas pela polícia,Ricco as viu quando questionado sobre nossas atividades no Rajastão. E contou que depois de ver as fotos teve até pesadelo.
O fato é que na teoria éramos suspeitos, mas na prática essa suspeita foi uma corroborativa para o aumento substancial da fiança.
Eu estava imundo e exausto. Tinha queimado a mufla o suficiente falando de Pelé, de como é o Brasil et cetera. O legal foi aprender mais sobre mitologia hindú com os companheiros de cela (a maioria estava ali por pequenos furtos em plantações). Uma lenda em especial me fascinara.
- Amanhã tenho planos de turista e vocês me acompanharão: Vamos para o hostel logo! – Anunciei, já caminhando pelo projeto de calçada, à descida das escadas da delegacia.
- Que isso, Roberto! Nós vamos mesmo nesse lugar? - indignou-se Jairo.
- O Ricco me chama de Coisito, eu vou começar a te chamar de Florzito, Jairo. Tá com medo de rato é bichona?
- Porra... Ricco, tu quer ir nessa merda também? - Jairo perguntou em tom apelativo para Ricco, que já subia em sua moto.
- Não perderia esse espetáculo por nada, Florzito! E por falar em rato, segura aí Rob... - E jogou um pacotinho do tamanho de uma caixa de fósforo.

Era o "nosso" Haxixe.

---

Continua...

4.11.09

Distante de qualquer lugar

Seu nome ficou perdido no tempo. No tempo que conversava com as pessoas e era de verdade.

Sua luta pessoal pela liberdade nunca passou por meandros comuns tais sexualidade, ideologias ou independência financeira. Sensualidade nunca foi sua maior qualidade, quanto a correligionar idéias, bem, sempre urgiu afoito em primeiros tempos para depois pouco a pouco até rapidamente esquecer qualquer compromisso firmado com o ideário dantes. Dinheiro? Sempre engasgado em dívidas, nunca foi de guardar o pouco conseguido. Aos vinte e poucos anos resolveu fugir de tudo da forma mais convincente: morrendo vivo. Sua grande confusão mental não aliviou esposa, filhos e amigos. Punindo-se severamente pelos crimes cometidos por terceiros, derrubou o amor como a primeira peça do dominó, um mosaico de relações ruiram e deixaram-no sob a tutela do horror e do pânico.

Viciou-se em pânico. Só uma alma bonita que pedia silêncio. Era caso para partir, mas seus traumas de abandonado não o faziam desistir na profusa dor.
Viciou-se em idiotices mentais e nós cegos poéticos, do abismo fonético ilusório que repetia mantras de reconforto artístico. Só uma alma bonita que penava fantasma por ruas conhecidas, sempre as mesmas ruas.

Depois do vício, aparecia a droga. Descobriu que o maior porém é o de sentir, sendo mero peão. Amou pessoas falsas, e escorreu falsidade e lágrima. Confiou numa arte hipócrita de joguetes, desacortinando de quem se acha muito, muitíssimo importante.

Fragilizou-se.
Foi ao inferno, claro. E só queria um silêncio, um sintoma qualquer de clareza dessa vividez.

Quis ser Thoreou, quis ser Hesse, quis ser maior apequenando tudo dentro de si.
Pensou esotérico, imaginou psicodélico.
Findou-se sorrateiro em sua própria trama.

Sem ao menos escrever algo decente.



---------


Into the wild é um filme absurdamente foda, com uma trilha composta pelo Eddie Vedder à altura. Segue abaixo uma tradução que eu fiz de bob agora, para ficar com um jeitão análogo ao texto de cima..


Eddie Vedder - Longs Night

Álbum: Into the wild (para o filme homônimo)
Composição: Eddie Vedder

----

Em tradução livre, meio tosca e pessoalizada:
Anceio Noturno

Não tenho medo
Porque quando estou sozinho
Serei melhor do que eu era antes

Eu tenho essa luz...
Eu estarei por perto, para crescer
Quem eu era antes?
Não me lembro

Longas noites permitiam-me sentir
Minha queda, minha recaída...
As luzes se apagam

Deixe-me sentir
Eu estou caindo
Eu estou caindo
de forma segura para o chão
Ah...

Vou aproveitar esta alma que está dentro de mim agora
Tal como uma marca,
Um novo amigo que eu sempre conhecerei

Eu tenho essa luz...
E a vontade de mostrar
Será sempre melhor do que antes

Longas noites permitiam-me sentir
Minha queda, minha recaída...
As luzes se apagam
Deixe-me sentir
Eu estou caindo
Eu estou caindo
de forma segura para o chão
Ah...

----

Há um lindo clipe em http://www.youtube.com/watch?v=0V7WItOr4O8 infelizmente não consigo inseri-lo aqui... (problema de USB: Usuário Super Burro...rs)...

3.11.09


Dali
O FANTASMA DE VERMEER QUE PODE SER USADO COMO MESA (1934)

2.11.09

Penha essa semana (Parte 2)

Uma esquina cheia de mesa
Uma vista alegre de domingo
O som alto, conversa animada
Nem penso em interromper
Um samba de Roberto Ribeiro
Acho melhor guardar meu caderninho...

E lá vem o Seu Candinho:
"Essa bagunça a gente faz todo
último domingo do mês...
E agora, pra
novembro tem a peixada
de final de ano. Nisso vai 30 anos.
E vai durar outros 30, se Jesus permitir!
Essa coisa de amizade no meu botequim."

O churrasco saindo, as mesas se juntando
O gelo chegando, as crianças correndo...

Eu encontro a poesia da tarde singela
Que faz da velha Fatinha minha mãe sábia, de olhos de amor
Eu guardo a poesia latente, doida para ser escrita,
na memória
Descanso na sombra da amendoeira
conversando
com Luiz
Rebolo os olhos no andar de Vanessa
Acarinho o tapete do topete pequenino de Rodrigo
E grito no coro feliz pela chuva que veio refrescar!

Embriagado em minha mais pura e bela suburbanidade,
Aceno invisível a tudo isso que retive
num brevíssimo momento.

25.10.09

Penha essa semana (Parte I)

O céu não está na praça
as pessoas fogem
se abrigam
pedem para Deus
a paz que refugiou-se
num lugar mais seguro

E
uma casa

uma parede

um automóvel partiu projetil

uma esquina passou zunindo

no ínterim dos disparos nauseantes
o barbeiro cortava,
a garçonete servia o almoço ao cidadão,
o garoto parou no camelô de jogo pirata ,
o velho bêbedo dançou para o mundo morrer,
à fila o bancário dirigiu seu grito de próximo

Penha, nossos inquéritos de todo dia...
Os comandos, as milícias, os eleitores, as coberturas jornalísticas,
a contra-senha, as justificativas e palavras de ordem, o governador;

O amasso na bolsa do morador.

A bala cravejada de açúcar na língua das crianças.


----
Ao som de HeavenTalking Heads

13.10.09

Outro poema de "Fractal"

Impermanente segue a árvore

Na beira da ramada repercutindo

Vibrando seiva e feitiçaria

Raro carbono o cristal aglutina


O bicho que nada quer sobe pelo caule

As garras extende o fruto alcança

Eu sou um químico e gramático

Lanço terra e ferrugem pelos ares


Um respiro, uma forma, uma centelha.

12.10.09

Do meu novo livreto (diagramando): Fractal

Palavra olhe para o lado

Contemple a forma mandala

Absorva o cotidiano dialético

Que se auto-apresenta a cada instante

 

Muitas frases podem ser bonitas

Fátuas, nãos servem para nada

É como querer abordar o arco-íris

E não se indignar com a pressa estúpida.

 

O pote de ouro fica invisível.

26.9.09

De sejo Pris

De grande mulher que ensina
És somente agora uma menina
Sorri safada perna em vê aberta
Perenidade breve ensejo oferta

Assim faço soar dentro o curvo aríete
Nosso tatear ardente sala no tapete
Transbordas úmida rego e centro
Sou apenas um falo cálido dentro

A drugada ma ves tiu sejo de
Solta andas por esquinas sílabas
Cor dando sol rasga o quer o mel
Que na soli tez do eu jazz gozo duo

Pala doce confeito de açúcar e céu

15.9.09

A Morte

Em eterna paisagem o Estranho
Dominou o horizonte em sua nave
Montando feroz seu cavalo estelar
A consciência tal qual oceano

Dominando o horizonte
Em todas as dimensões
Calmamente único e tríplice
Brahma, Vishnu e Shiva
Um Emanar Contínuo
Um Sistema Solar
Uma Bomba H

Qual a melhor maneira de pedir seu perdão?

Um guerreiro demonstra sua pureza
Da humildade transparece sua certeza
O homem comum escolhe a verdade
E a demonstra cheio de autoconfiança

Tento atento não expelir engraçamento
Luto com unhas e dentes por dialética
Ao chão ateio os velhos ídolos, a mera estética
Não me deixo sonhar com seguidores
Meu único inimigo completo sou eu

Apenas se

quando ao tocar o céu
do crepúsculo em aurora
a rosa que luziu ser
uma folha de amora
pequenina desceu
pétala do interlúdio
semente de amor
cristalizou vasto mar
lótus no silêncio do chão
flor do raio de sol

O Bastão de Combate

Outro dia encontrei um homem
Avistamo-nos de relance ou por acaso
Eu estara nuvem colina clamando perdão
Meu corpo atraído magnético para a terra
Minha mente folha vento ao chão
E minha alma que não sabia curar-se

O homem apareceu de nenhum sobreaviso
Era de fato, firme, doce e sólido
E humilde tal como a macieira soberba
A carregar crianças em seus braços
Sua voz inaudita era o crepúsculo outonal
Forte vaga capaz de afundar navio

Ele esperou dez dias para apresentar-se
Sonhou seu sonho porta do infinito
Vasculhou e varreu a amálgama de moléculas
Porque tão só existe a auto-solicitação
Ajudou-me com seu tempo de respirar o olhar
Entregou seu alforje héroi é aquele que está

Esperou assim dez dias sem uma palavra pronunciar
Alendele poderia dizer coisas que ninguém entenderia
Ele precisava da salvação salvando-se sozinho
Deste tempo à beira do precipício ao meu lado
Ele apenas com isto presente esteve sentado
Hoje abre janelas no mar bravio casa de sinceridade

14.9.09

seja rebelde

Num tempo de fraude universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.

GEORGE  ORWELL

8.9.09

Notícias do Front #1

Saindo
Penha-RJ e Adjacências
Poesia in Loco!!!!!!!!

Música inspiração de hoje: Soul meets body - Death cab for cutie

7.9.09

O Dia da Independência

Quando olho para eles
Tento não dizer mais o que disse
Por todo tempo que perdi ausente
Dentro de toda aquela minha idéia
De ser alguém que pudesse impor
Algo para todos os presentes

Quando olho para o que realmente é
Eu digo diferentes palavras para eles
Eu entendi o enternecer do agora
E não compilo independências toscas
Para regozijar-me de haver escrito
Livros sagrados esquecidos pelos deuses

1.9.09

Será que será?

Veja

Loucura é você ser o parâmetro
tudo ser comparado, analizado e julgado
a partir do que você é, faz ou responde
o outro sempre um estranho horroroso

Crie momentos para sentir e pensar
não pense somente por reação
olhe profundo ao redor da gente
tente pensar diferente

Tente!
exercite essa atenção serena
será esse um grande segredo
para a paz e a felicidade plena?

29.8.09

Vai lá, vai lá...

Para quem quer saber demais
pergunta o de menos sempre
e não espera o final da resposta

Quando transita no léu
a mente confusa desconfia
quer saber a verdade sempre
e acaba escutando a mentira
na ilusão maya que procede sua vida

Não muito adianta esmolas pertinentes
se do alheio o sofrer não entendes
Ou todo dinheiro que ganhas
se ganhas e ganhas e ganhas
não retornas a benesse concedida?

Cada um tem sua verdade
eu não preciso contar a verdade
para quem apenas precisa da mentira
a quem sinceridade soa como mentira
eu não preciso ser sincero

Para dizer a verdade
prefiro contar uma mentira

19.8.09

O bom baiano

Ele era todo Sorriso
Mais que isso
Gargalhada por inteiro
Sua alegria vinha primeiro
Sua voz era Riso
Mais que isso
Na frase Contentamento
Na pausa Amor Atento

Achei que fosse indiano;
Talvez, quem sabe andino...
Um uruguaio? Um argentino!

- Sou mesmo é baiano!

E quando dei-lhe um abraço apertado
Descobri que a felicidade era onda e ginga
Ele era a Baía e todo o Estado
Ele era o Sertão, o calor da Caatinga...

Ele era a Chapada Diamantina!

Como faço para adquirir o poesia inLoco?

Entre em contato através do e-mail rueiroilimitado@gmail.com